A jonada Traumática de uma criança abusada sexualmente.

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A jornada de uma criança abusada

Não usaremos nomes reais, nem para o acusado, queremos preservar a identidade e o segredo de justiça, usaremos portanto o nome fictício de Vitória para ilustrar o que se passou com uma criança de nove anos de idade que após uma briga entre sua mãe e o padastro de 42 anos (Policial Militar), supondo que haveria uma separação, revelou a mãe que estava sendo abusada sexualmente por este e após tal revelação chegou ao conhecimento do Pai que iniciou todo processo da preservação dos direitos de sua filha.

A revelação

Segundo o relato de Vitória, quase todas as noites após a mãe dormir, o referido padrasto se dirigia ao quarto para cometer atrocidades com uma criança de oito anos, sempre a intimidando com sua superioridade emocional e perversa, ou ameaçando com a promessa de violência contra seus familiares, caso revelasse a alguém tudo o que acontecia.  As investidas contra Vitória ficaram cada dia mais audaciosas, pois o padrasto criava possibilidades em que pudesse permanecer a sós com ela e mais uma vez realizar seus intentos, os quais  posso classificar como horrendos e perversos.

Finalmente a chance de revelar, corajosamente pediu socorro a mãe, o pai foi informado no mesmo dia e correu em auxilio a Vitória que depositou todo o terror que sofria na esperança de que seria salva das mãos de um criminoso perverso.

As providências

O Pai na companhia de Vitória e de sua mãe, dirigiram-se  até o Distrito Policial; o atendimento no balcão é frio, mesmo tratando-se de uma criança, Vitória chorava, as mãos sempre frias, o Pai conhecia a escrivã que os atendeu prontamente, e se não conhecesse, como seria? O movimento Policial manifesta um desconforto e aterroriza ainda mais a criança. É necessário falar com a delegada, Vitória relata tudo o que aconteceu detalhadamente, a delegada sem o mínimo de bom senso questiona seu relato e pede para que os pais saiam da sala, pediu que ela relatasse novamente, sempre questionando e usando termos sem o menor bom senso, fator este que demonstra o despreparo no tratamento deste tipo de ocorrência. Imagino como estaria a cabeça de Vitória naquele momento, se o Estatuto da Criança fosse cumprido, deveria existir a presença de uma psicóloga em uma delegacia especializada em crimes contra crianças e adolescentes, mas isso ainda não existe, Porque?

O Boletim de ocorrência foi elaborado após Três horas e os Pais foram informados que tudo seria encaminhado a delegacia da mulher para a apreciação da delegada a possível, ou não, instauração de um inquérito, também informou que um médico legista estaria a espera de Vitória em um determinado hospital da cidade para que se fosse realizado a pericia, isso já próximo da meia noite. A mãe acompanhou Vitória até o hospital , ela foi examinada e mais uma vez questionada a respeito, agora me pergunto: E se a mãe e o Pai não tivessem carro para locomover-se até o hospital? Ônibus a meia noite é impossível ! E se não tivesse nem dinheiro para tal, como seria?

Retorno para casa

Vitória foi para a casa da avó, posso imaginar como estaria sua cabeça naquele instante, mas enfim, o grito de socorro foi ouvido, sem noção do que teria que encarar pela frente e posso afirmar, não foi nada fácil.

Os cuidados do poder público com a criança

Nenhuma orientação foi dada, simplesmente os direitos desta criança foram ignorados, não houve qualquer manifestação de assistência social, ou de cuidados psicológicos. Mais uma vez me pergunto e se os pais fossem de origem humilde, ou desempregados, como seria? Felizmente os Pais de Vitória são profissionais da educação e com boa estrutura financeira, sem necessidade do auxilio público, mas e se não fossem quem os orientariam da necessidade da reestruturação psicológica de Vitória, ou dos tramites jurídicos que enfrentariam?

As providências do Pai

Após a elaboração do boletim de ocorrência o Comando da Policia Militar foi informado de que um componente de sua corporação havia cometido uma atrocidade contra uma criança de oito anos e deveria ser investigado e um inquérito administrativo interno foi aberto. Nos dias subseqüentes começou a notar que os familiares por parte da mãe de Vitória estavam escondendo algo, o pai descobriu que o acusado estava tentando descaracterizar o que Vitória havia revelado, então ela passou de vitima a criança mentirosa e voltou a conviver novamente como se nada tivesse acontecido. É obvio que atitudes como esta se escondem atrás de interesses financeiros, a dissolução dos laços com o abusador poderiam causar grandes prejuízos pois tinham diversos negócios que poderiam ruir.

Diante dos fatos o pai recorreu ao ministério público através de seu advogado e prontamente foi realizada a busca e apreensão de Vitória que no dia encontrava-se na presença do acusado e a mãe, mas através de um oficial de justiça e da medida cautelar o Pai de vitória obteve a guarda provisória, pelo menos até que a mãe resolvesse sua situação com o acusado e demonstrasse colocar os direitos e a segurança  da filha acima de qualquer outro.

A Eficácia da justiça na emergência:

O Fator que mais me impressionou foi a ação inquestionável e incondicional da Justiça mediante a solicitação do pai diante dos argumentos apresentados para solicitação da guarda imediata de Vitória, a ação precisa e eficaz da medida cautelar endossada pelo juiz foi digna, isso demonstra que a justiça funciona perfeitamente nas emergências e nos trás certa segurança que por muitas vezes são deturpadas pelas deficiências.

O sofrimento de Vitória:

Tantos foram os transtornos que era evidente a tristeza interior estampada nos olhos daquela pequenina criança, apesar de muito bem acolhida no lar do Pai, juntamente com sua madrasta e duas irmãzinhas que fizeram tudo para que ela se sentisse feliz e segura. Os transtornos cresciam dia após dia causando reações adversas em Vitória, tal como pesadelos, estado emocional abalado, insegurança, incontinência urinária e demais fatores pessoais que só ela poderia expressar. O afastamento da presença da mãe trouxe também os distúrbios de relacionamento entre as famílias, mas o Pai manteve-se averso a qualquer possibilidade de Vitória retornar a mãe caso permanecesse com o acusado. Diversos transtornos ocorreram, mas Vitória manteve-se disposta a enfrentar com o pai a tudo e a todos, pois a única instrução recebida deste foi a de FALAR SEMPRE A VERDADE.

O auxilio psicológico

Sentindo a necessidade do auxilio psicológico de Vitória, o pai solicitou a presença deste profissional em sua casa por diversas vezes, fator este que trouxe a luz tudo o que se passou com aquela criança, confirmando através de técnicas e possibilitando a criação de um laudo que reafirmava a veracidade de todo relato do abuso sexual proferido por Vitória.

Por incrível que pareça, este laudo foi apresentado a justiça comum e a militar, tornando-se instrumento de contestação por parte da defesa a todo o momento, tendo como argumento principal que o pai de Vitória criou este laudo com a ajuda do psicólogo e que não teria indícios de veracidade, sendo necessário a participação da criança em outros órgãos públicos e de conotação lógica que pudessem confirmar que aquela criança dizia a verdade.

Muito interessante, e se o pai não tivesse procurado o auxilio de um profissional liberal de psicologia, quem iria fazer? Quem o orientou para que o fizesse? Quem indicou a existência de um serviço público de psicologia que poderia realizar um laudo? Absolutamente, ninguém !  Então ficou mais fácil acreditar que o laudo que provava o abuso sexual de Vitória fosse comprado por um pai que simplesmente queria condenar um inocente, do que indicar um serviço público confiável no momento em que a criança comunicou a sociedade o crime hediondo a qual foi vitima, mas ninguém o fez.

Como será com as outras crianças que revelam?  Será que terá alguém que compartilhe estas ações com ela? Terá o respaldo dos serviços públicos de apoio a criança adequadamente? E o Estatuto, quem o fará cumprir? Quem acreditará nelas?

As inúmeras audiências

Após alguns meses desde o primeiro relato de Vitória e de um ajuste psicossocial, começaram as contestações do laudo psicológico e ela foi intimada com seu pai a realizar um novo laudo com um psicólogo judiciário, também o pai foi avaliado, assim como a mãe, o parecer foi favorável a Vitória, comprovando que ela falava a verdade e que o Pai mantinha as condições psicossociais para ficar com ela até que a mãe se restabelecesse das questões com o já ex-marido acusado.

Agosto/2007 – Trinta e cinco dias, intimação de vitória e do pai para prestar depoimento na justiça militar, numa cidade a 40 km de onde moravam, pois o acusado estava locado naquele batalhão. O pai impôs a condição de ser ouvido somente na cidade onde moravam, caso contrário não iriam, mesmo tendo descrito na intimação que o seu não comparecimento poderia induzir a sua condução por coerção. Que coerção é esta? Justiça militar não tem poder algum sobre cidadãos que não sejam seus militares ! Mas e se fosse um leigo, uma pessoa humilde, seria realmente coagida? Iriam se deslocar a 40 km para prestar depoimento? Como, em quais condições ?

A decisão do pai foi acatada e Vitória e o pai foram ouvidos no quartel locado na cidade onde moram, sem a presença de um advogado, por desejo do pai, Vitória só foi instruída a dizer a verdade, nada alem do que já havia falado. Todo o trabalho psicológico realizado com Vitória tornava-se decadente, enfrentar homens com fardas e revolveres na cintura, exatamente como o protótipo do acusado, tudo voltava à estaca zero.

Setembro/2007 – 25 dias após a primeira audiência na Justiça militar, uma nova intimação, uma nova audiência, mas já com a intenção de serem ouvidos na cidade onde moram, os militares presentes receberam Vitória e o pai adequadamente, apesar de mais uma vez voltar a zero todo trabalho psicológico. A equipe de um novo batalhão começou a ouvi-la na presença do Pai, mais uma vez sem a presença de um advogado, por desejo do Pai, instruindo sempre para que dissesse somente a verdade. A audiência foi muito tensa, Vitória tinha as mão frias e o coração acelerado, mas foi valente e justa, não disse nada alem do que falou da primeira vez, os militares foram tomados de comoção e encerraram rapidamente. Até quando uma criança é colocada a prova, como ouvi-las sem prejudicá-las?

Outubro/2007 – 119 dias após a revelação e a elaboração do boletim de ocorrências, Vitória e o Pai foram intimados para prestar depoimento na delegacia da mulher para que se concluísse o inquérito, os mesmos distúrbios, agora em uma delegacia, quem conduziu o depoimento foi uma escrivã, a delegada nem apareceu para dizer oi, ninguém perguntou nada sobre o estado emocional de Vitória, e mais uma vez tudo volta a zero, mesmo assim ela foi valente e disse exatamente como na primeira vez, a verdade,  sem a presença de um advogado, apenas seu pai. O que mais poderá vir pela frente, como pode uma criança ser tratada adequadamente dos distúrbios sofridos no abuso sexual?

Setembro /2008 – Um ano e três meses após a revelação o Pai e Vitória foram intimados para uma nova audiência na justiça militar, considerada como audiência de instrução, onde a mãe também compareceu  com seu advogado, alem de dois advogados do acusado, em nenhum momento foi possível o acesso aos autos, nem pelo pai, ou pelo advogado da mãe. Vitória encontrava-se tensa, com as mãos frias, o pai a acompanhou no depoimento, eram seis militares e dois advogados do acusado e um membro do conselho tutelar, questionando Vitória sobre o que acontecia e como ocorria, a mão forte do pai aquecia as mãos geladas daquela criança que por mais uma vez falou a verdade engasgando a pretensão dos advogados e causando indignação dos demais militares ali presentes. Mais uma vez , todo trabalho psicológico voltou à zero.

Como pode uma criança agora com nove anos ser questionada por adultos, profissionais experientes e astutos, ao lado de seu pai que com a veemência  e  convicção, defendeu e conduziu sua filha diante do mais nobre de todos os argumentos, “A VERDADE”. Como seria com outras crianças, ou como é com outras crianças? Será que tudo seria conduzido conforme estabelecido na lei, ou tais oficiais seriam mais corporativistas do que justos ?

Após dois anos o Pai foi informado pelo conselho Tutelar, da existência de um serviço público conhecido como CREAS ,Centro de Referência Especializado em Assistência Social , onde diante da necessidade e da credibilidade perante o judiciário, Vitória começou a participar de um tratamento de Terapia em grupo, além de um acompanhamento psicopedagógico no colégio particular em que começou a estudar, tendo em vista ter apresentado baixo rendimento escolar devido ao fato.  Poderia alguém ter informado sobre este órgão publico de auxilio a criança? Talvez na delegacia, ou no Fórum ! Pois muitas das necessidades das inúmeras crianças que atravessam esta dolorosa experiência poderiam ser amenizadas se alguém informasse sobre a existência deste apoio, até mesmo Jurídico.

15 Abri/2009 – Vitoria e o Pai foram intimados para a primeira audiência na vara criminal do fórum da cidade, o promotor havia acatado o inquérito e o juiz processou o réu diante dos argumentos apresentados nos autos. Vinte dias depois um comunicado de cancelamento da audiência por solicitação da defesa que mais uma vez contestava o laudo psicológico. O juiz solicitou novo exame psicológico de Vitória a qual deveria apresentar-se no Instituto de psicologia judiciária na cidade de São Paulo, sem ao menos perguntar se teria condições financeiras para tal. Simplesmente deveria comparecer em data e hora marcada para entrevista no instituto de Criminalística.

15 Maio/2009 – O diário Oficial do Estado de São Paulo Publica a expulsão do 1º Sargento acusado de abuso sexual contra uma menina de oito anos de idade da corporação da Policia Militar do Estado de São Paulo. Atitude digna e justa, a verdade emanada da boca de Vitória prevaleceu na Justiça Militar, livre de qualquer peso na consciência , pois a penalidade veio através da verdade, não de argumentos escusos de certos profissionais. AQUI A JUSTIÇA FOI FEITA, vamos além e vejamos o que fará a justiça comum.

Junho de 2009 – Vitória volta para mãe, estando o pai solicito e com total certeza de que todas as questões relativas ao ex-marido da mãe foram resolvidas e que Vitória estaria segura, retornou a guarda da mãe com plena e total segurança, tornando o relacionamento entre todos pacifico e harmônico, fator este que beneficiou consideravelmente o bem estar emocional de Vitória.

17 Julho/2009 – Vitória vai a São Paulo com a mãe para entrevista na Psicologia Judiciária, onde após seis horas de espera foi informada que a profissional que a atenderia não poderia estar presente naquela data e que seria estabelecido o prazo de uma semana para que retornasse afim de realizar as entrevistas. Como seria a vida de uma criança sem condições para tal? Mais uma vez onde está o cumprimento do Estatuto da Criança e do adolescente?

24 Julho/2009 – Retornou Vitória  ao Instituto e realizou as entrevistas e a avaliação psicológica com os peritos, também solicitaram um laudo psicopedagógico da escola, o qual foi enviado pelos correios.

Julho/2009 – Após a expulsão da Policia Militar o acusado passa a ameaçar a mãe e Vitória com constantes cartas e telefonemas, o ministério público foi informado a prisão preventiva do acusado foi decretada e o mesmo recolhido ao Centro de Detenção provisória sobre o argumento de coerção e intimidação de vitimas e testemunhas, sendo negado diversos Habeas Corpus pela justiça, encontrando-se o réu em cárcere até a promulgação da sentença.

Dezembro/2010 – Vitória, o Pai, a Mãe, o psicólogo e uma testemunha foram intimados a comparecer no fórum para audiência de Instrução e julgamentos do processo em tramite alem das testemunhas de defesa e o próprio réu.

Vitória estava extremamente tensa, pensava que iria deparar-se com o acusado, mas não foi necessário. Já com doze anos e após um certo tempo de angustia e desespero, chegou o dia da definição e da justiça. Tremula, suando frio, o pai pega em sua mão e mais uma vez diz, fique calma e diga mais uma vez a verdade que Deus estará do seu lado. A advogada de Vitória adentra a sala de testemunhas e a acalenta com palavras de conforto, reiterando que a verdade seria o seu trunfo.

A audiência começa e Vitória é chamada, desta vez sozinha e na presença do Juiz, a escrivã, a Promotora , os advogados de defesa e sua advogada na sala de audiências do Fórum, onde ficou por vinte minutos sendo questionada pelo juiz com perguntas como: Você mantém uma vida sexual ativa? Você tem namorado, ou já teve? Como foi sua experiência com o acusado?

Primeiramente, o que é ter uma vida sexual ativa Excelência?  Namorado com oito anos, nove, dez , onze, ou doze anos?     Experiência???????????  Que grande preparação ! Fiquei impressionado ao ouvir o relato da pequena Vitória, mas como Deus estava a seu lado, ela pôde confirmar tudo o que disse no primeiro dia em que revelou o que estava sofrendo, sem mais, nem menos, simplesmente a verdade.  Agora eu me questiono, assim como você está lendo tudo isso, temos autoridades judiciárias preparadas para tratar criança como criança? Não , não temos !

No nosso País, apesar de um Estatuto rigorosamente moderno, temos um conjunto de leis arcaicas e primitivas, a oitiva de crianças é permitida, até mesmo uma acareação, não importa as conseqüências traumáticas que se arrastará por toda a vida, este é o modelo do que uma criança enfrenta ao buscar e lutar por seus direitos, o que vem depois não é problema do Estado.

Após o depoimento de Vitória, sua mãe adentrou a sala de audiências, sem a presença do réu, Vitória ficou em pé no corredor do Fórum, sob a mira de um Oficial de Justiça, até que sua mãe fosse ouvida. Seu pai, tentou levar água e acalmá-la, mas foi impedido pelo Oficial.

Após a mãe, o psicólogo foi ouvido e questionado quanto à possibilidade de Vitória estar inventando tudo, mas prontamente respondeu que não se baseou em relatos e sim em técnicas diversas como desenhos e histórias, alem da observação de seu comportamento mediante a avaliação, o qual foi considerado fruto de uma criança incontestavelmente  abusada sexualmente.

Em seguida o Pai adentra a sala, na presença do Réu que ali também adentrou, foi primeiramente questionado pelo Juiz que fez a seguinte pergunta: O senhor conhece a Criança e tem algum conhecimento do que eventualmente se passou com ela ? Clara excelência, eu sou o Pai dela, disse!  O juiz ficou desconsertado, pediu desculpas e continuou  a questionar , sempre buscando ligar o depoimento ao laudo apresentado pelo psicólogo, também as perguntas foram da defesa foram direcionadas com ênfase na contestação do laudo psicológico, pois o Psicólogo trabalha na mesma instituição de ensino do Pai e supostamente estava cuidando de interesses do mesmo.

A audiência deu continuidade, o réu chorou e jurou inocência, apresentou as testemunhas de defesa, mas por mais uma vez lhe foi negado o alvará de soltura, o que leva a crer que seus argumentos não foram convincentes.

Quanto a Vitória, teve a partir daquele dia um distúrbio emocional violento e sofreu uma hemorragia continua por mais de trinta dias, causando debilidade e anemia profunda, pelo fato de retomar todas as lembranças da violência hedionda e perversa que um homem de quarenta e dois anos encravou em sua vida.

A sentença ainda não foi apresentada, mas esperamos que seja feita a justiça conforme se estabelece as leis deste país, quem sabe daqui a mais um , ou dois anos, não sei ao certo, o que sei é que relatarei e informarei a sociedade o grande distúrbio causado a uma criança que teve a coragem de contar e seus familiares que tiveram honradez de acreditar e fazer o que se deveria ser feito, enfrentando todas as conseqüências.

Para Finalizar deixo-vos uma pergunta;

Tem este país condições de cumprir o Estatuto da criança e do adolescente e conduzir uma criança que sofreu tamanha violência de maneira que seu estado físico e emocional seja preservado e os distúrbios causados sejam apagados de sua vida? Digo-vos convictamente, NÃO !

Eu sou o pai.

www.projetovencer.org

SE NÃO PODEMOS REPARAR COM EFICIÊNCIA, QUEREMOS PREVINIR COM EXCELÊNCIA”

Sobre Feed do Autor

Sociólogo,Coordenador Educacional,Professor de Ensino Técnico,presidente da ONG PROJETO VENCER que atua na preservação dos direitos da criança e do adolescente, lutando árduamente contra a pedofília e ao abuso sexual.Palestrante e conferencista na área de comunicação Social.

11 comentário para “A jonada Traumática de uma criança abusada sexualmente.”

  1. Rafaela Hevelin diz:

    qual foi o desfecho deste caso????????

  2. Eugenio Rocha diz:

    Ainde não Houve desfecho, estamos aguardando a bos vontade da justiça, mas o éu ainda continua preso.

  3. Renata Penha diz:

    Boa noite. Sou estudante de Direito e também vítima de abuso sexual.
    Meu maior interesse na elaboração do meu Projeto de Monografia é justamente o que acabei de ler neste artigo.
    O Poder Público tem o cuidado de receber esta criança traumatizada por abuso sexual, com os profissionais preprados , a qualquer hora do dia ou da noite?
    Conforme li no artigo citado,minha preocupação se confirma. E se fosse uma criança vinda de uma família desprovida de qualquer condições? É exatamente isso que me preocupa, porque a mídia esta ajudando a caçar esses pedófilos, mas não vejo nenhuma divulgação, preocupação por parte dos meios televisivos cobrar do Poder Público a divulgação perante a sociedade se os direitos da criança junto ao ECA estão sendo cumpridos ou não? Quero muito poder fazer um trabalho que possa realmente colocar em evidência o sofrimento dessas crianças que muita gente ignora, e creio que só assim, poderemos fazer nossas crianças receberem o tratamento a que tem por direito. Aguardo se possível um contato para troca de informações para elaboração da minha monografia. Estou tendo dificuldades sobre o tema escolhido e até pedidos para que eu desita deste tema tão difícil e sem doutrina sobre este caso. Mas acredito que se não começarmos a questionar e cobrar respostas para as perguntas que este pai fez e das quais também eu me perguntei e pergunto, como ficará a JUSTIÇA diante de tanta cobrança e repercussão se não haver um grande movimento?

  4. Weslei leonardo diz:

    A justiça de Deus sempre reina. Que Deus os conforte!

  5. kely diz:

    Eu nao sei o que eu sinto mais odio e nojo de quem faz um ato desse com uma crianças ou,odio por ver como,as leis no brasil sao lentas e negligentes com relaçao a esses assuntos.EU ja passei por isso e ate hoje nada foi feito. Quem cometeu o crime me olha nos olhos e parece rir por dentro.hoje sou casada tenho 23 anos o fato ocorreu quando eu tinha entre 8 e 9 anos,tem muito tempo,mas eu senti na pele a negligencia por parte das autoridades,eles diziam que estava inventando a historia toda.Eu ate hoje nao fui a um psicologo nem divIdi esse sentimento com ninguem,e mesmo tentando levar uma vida normal sem deixar o passado vir a tona,por dentro ainda reina a kely com medo e raiva e,eu nao sei como lidar com isso.Queria de verdade que as leis brasileiras fossem mais responsaveis em relaçoes a esse tipo de problema,pois ele cresce muito por que o autor na maioria das vezes nao e punido.E sei que como eu muitas outras pessoas trazem problemas desse tipo da infancia.E que nao teve o “AUTOR”preso pra ele nao houve dano mas eu psicologicamente ate hoje revivo aquele dia sentindo raiva,chorando,e pensando em vingança e horrivel,tento ocultar mas as vezes deixo muito claro que tenho problemas.ISSO COMPROMETEU MUITO MINHA VIDA……….

  6. Najara diz:

    Meu filho(3); foi abusado pelo primo(10 anos) em 17 maio 2009. Eu, sou a mãe e por mais incrível que pareça :a “indiciada” num processo de modificação de guarda!
    Como meu filho estava com o pai no dia do fato; o pai extremamente ignorante me acusou de “armar” p ele com “um” dos meus “machos”.
    Virou as costas p mim, eu fiquei sozinha dando coquetel HIV, e ouvindo frases absurdas!!!!!! ( EX:Tô louco p comer uma bundinha…..)!
    Resumindo pois agora não poderei relatar os detalhes; em Novembro de 2010, ele conseguiu direito a visitas; pois colocou no processo que sou desiquilibrada e louca e que preciso de ajuda profissional…
    Caí na besteira de acreditar que um advogado gratuito era igual a um pago.
    Em novembro de 2010, o pai teve direito a visita, levando imediatamente meu filho para conviver com o primo de 10 anos que abusara dele. Contratei um Advogado pago e agora tenho esperança que a verdade prevaleça.
    Minha advogada Gratuita, foi mandada embora da Universidade Bandeirante de São Paulo ( UNIBAN) 5 dias antes da audiência. Foi substituida por outra que não abriu a boca na audiência!!!!!! Com isso assinei sem saber um termo de acordo; onde meu atual advogado explicou que eu não deveria ter assinado….
    Ou seja, meu filho tinha direitos que não foram defendidos pela Advogada x; pois a mesma em nada se manifestou…A única coisa que me disse foi: ” Ou vc assina, ou vc vai perder a guarda”!
    O que um leigo(a) faz numa hora dessas???
    Meu filho hoje com 5 anos vai p casa do pai uma vez por semana ( das 9 as 17 horas); enquanto eu fico em casa orando por ele.
    Me contou que no ultimo encontro o primo disse a ele que era p ele dizer que inventou tudo…. ou quebra os dentes dele…
    Ao lêr a história de Vitória, sei de tudo que o pai passa e passou. Mas creio muito em DEUS, e nenhuma verdade há que não seja descoberta!
    Grata

  7. fernanda diz:

    Eu não tive a mesma sorte que vitoria, fui abusada aos 10 anos de idade. Contei para minha mãe e ela preferiu ficar do lado do meu padrasto, os meus irmãos acreditaram em mim mais ninguem queria ter a responsabilidade de cuidar de uma criança. Aos meus 15 anos de idade minha mãe me colocou para fora de casa, por que eu ja sabia me defender e não o deixava tocar em mim. Dia 08/02 faço 32 anos e não consegui me libertar desse trauma. Minha mãe faleceu em maio de 2010, ela se foi mais ficou a pergunta. Por que ela deixou isso acontecer comigo?

  8. bruno diz:

    É impressionante os traumas causados,será que no caso do Pai fazer justiça com as proprias mãos não aliviaria um pouco a dor??

  9. Ana diz:

    Pessoal,

    E quando há somente a suspeita? Como proceder? Como agir?

  10. Rodrigo diz:

    Fui abusado quando tinha 5 anos pelo meu irmão de 7 anos, ele me convenceu de que era só uma brincadeirae me colocou deitado de costas e abusou de mim dizendo que iria deixar eu fazer a mesma coisa. depois de ele terminar ele começou a rir da minha cara. Eu era muito novo nem sabia o que estava fazendo! mas meu irmão sabia concerteza. depois no outro dia estavamos com meu primo e meu primo disse “quem ja deu o cu levanta a mão” e eu levantei a mão(isso foi um dia depois do abuso) para vcs verem a minha ingenuidade eu nem sabia o que era ser gay nem nada. dai meu irmao falou que eu sempre devia negar quando me perguntassem, ele sabia o que ele tinha feito. Cresci até os 25 anos sem nunca falar nada para ninguém, nunca esqueci disso, até hoje sinto uma raiva enorme do meu irmão, ele fica indiretamente me lembrando, bota o nome dos personagens dele nos joguinhos de arrombador, diz na frente dos outros que eu gosto de ser passivo. Esses dias ele veio me contar o nome do personagem novo dele “meu pau no teu cu”
    fiquei tao triste que acho que ele percebeu.
    esses dias um amigo meu me chamou de arrombado, porque tem a mania de chamar os outros assim, dai fiquei bravo com ele, agora sei que ta rolando uns papos de que sou gay.
    Hoje em dia eu tenho namorada, e estou pensando seriamente em contar isso tudo pra ela, mas tenho medo de a perder. Se alguém puder me dar conselhos, tb vou começar a frequentar um psiquiatra

  11. Cintia diz:

    Olá!!! Sou tia de uma garotinha de 5 anos que foi abusada sexualmente e sei o quão horrivel é!
    Esse monstro não só destrui a inocencia e a ingenuidade da minha sobrinha mas também acabou com a familia toda.
    Minha sobrinha, Leticia (é esse o nome dela, e significa alegria, alegria esta que este mosntro nos roubou!), mudou drasticamente de uma criança docil e meiga, de uma hora pra outra de tornou agressiva.
    Minha irmã e meu cunhado, foram na delegacia registraram BO, mas a justiça no Brasil é muito lerda, e nada podemos fazer senão aguardar.
    Agora gostaria de mandar um recado para o Rodrigo: “Conte o que aconteceu com voce para a sua namorada, se ela realmente lhe amar, ela irá entender e até lhe dar apoio. Boa sorte pra voce!”

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