Apostila de Sociologia

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Sociologia

Prof. Silvano

2011

SOCIOLOGIA: A CIÊNCIA DA SOCIEDADE

A Sociologia não explica e nem pretende explicar tudo o que ocorre na sociedade; e tampouco todo o comportamento humano. Pretende explicar só o que acontece na sociedade como um tipo de conhecimento garantido pela observação sistemática dos fatos.

A Sociologia é uma ciência e, como tal, não emite juízos de valor. Como ciência tem de obedecer aos mesmos princípios gerais válidos para todos os ramos do conhecimento científico apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos da natureza e, conseqüentemente, da abordagem científica da sociedade.

 

CULTURA

Para a Sociologia, não existem culturas superiores, nem inferiores, mas, culturas diferentes. Não se pode afirmar que a cultura de uma determinada sociedade seja superior ou inferior a outra, pois, à ciência não compete julgar e emitir juízos de valor, porém, constatar como as coisas são e explicar como e porque elas ocorrem.

Cada cultura é uma realidade autônoma e só pode ser compreendida a partir de si mesma.

Quando se admite a superioridade ou inferioridade de alguma cultura assim o faz porque adota o ponto de vista e os valores de alguma cultura em particular, ou seja, age de modo etnocêntrico.

A cultura nasce do trabalho do homem em sociedade transformando a natureza para satisfazer as suas necessidades. A cultura é, também, composta de idéias e modos convencionais de convívio.

 

OS TRÊS PILARES DA SOCIOLOGIA:

DURKHEIM, WEBER E MARX

DURKHEIM: CONSCIÊNCIA COLETITVA E FATOS SOCIAIS

Para este pensador “a sociedade não é simples soma de indivíduos, e sim um sistema formado pela associação, que representa uma realidade específica com suas características próprias”. Para Durkheim nada se pode produzir de coletivo se consciências particulares não existirem; mas esta condição necessária não é suficiente. É preciso ainda que as consciências estejam associadas e combinadas de certa maneira; e desta combinação resulta a vida social.

 

WEBER: SIGNIFICADOS E AÇÃO SOCIAL

Para este autor a ação social é uma ação cujo significado subjetivamente atribuído pelo sujeito ou sujeitos tem como referência a conduta dos outros.

Só há ação social quando ela possui um significado atribuído pelos indivíduos e é orientada pelas ações alheias. Por isso, nem toda ação humana é necessariamente social.

EXEMPLO:

O choque entre dois ciclistas é, em si, uma ocorrência semelhante a qualquer outro fenômeno natural, mas passa a ser ação social se existe alguma ação orientada no sentido de evitar o choque, portanto orientada pela ação do outro; algum desentendimento ou algum diálogo amistoso após o choque.

A ação social não é apenas expressa através de comportamento externamente observável, mas pode também ser pela simples omissão ou permissão.

 

MARX: RELAÇÕES DE PRODUÇÃO E CLASSE SOCIAL

Para o Sociólogo alemão “na produção social da sua existência, os homens travam relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; estas relações de produção correspondem a um determinado grau de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações forma a estrutura econômica da sociedade, a fundação real sobre o qual se levanta o edifício jurídico político, e a que correspondem formas determinadas da consciência social. O modo de produção de vida material domina, em geral, o desenvolvimento da vida social, política e intelectual”.

 

O INDIVÍDUO NA SOCIEDADE

Toda sociedade compreende um sistema de status ou posição que ocupa. Status é a localização do indivíduo na hierarquia social, de acordo com sua participação na distribuição desigual da riqueza, do prestígio e do poder. Quando nos referimos a poder, em Sociologia, não limitamos o significado dessa expressão ao seu sentido estritamente político.

O poder político não é todo poder, conforme Weber, poder significa a possibilidade de impor a própria vontade em uma relação social, mesmo contra toda resistência.

STATUS ADQUIRIDO: são posições ocupadas por escolha pessoal, enquanto outras o são involuntariamente.

STATUS ATRIBUÍDO: são posições ocupadas independentemente da vontade dos indivíduos.

STATUS ESPECÍFICO: é a denominação para cada uma das posições que o indivíduo ocupa simultaneamente. No ambiente urbano os indivíduos tendem a ocupar um maior número de status específico do que nas sociedades rurais.

STATUS PRINCIPAL: é aquele que dá mais prestígio, poder e riqueza ao indivíduo, em dado momento de sua existência. Nas sociedades contemporâneas do tipo urbano-industrial, este status tende a ser uma ocupação profissional.

 

SOCIALIZAÇÃO

“O homem é por natureza um animal social” (Aristóteles-384-322 a.C). É o processo segundo o qual o indivíduo se integra ao grupo em que nasceu assimilando o conjunto dos hábitos e costumes característicos daquele grupo.

Participando da vida em sociedade, aprendendo suas normas, seus valores e costumes, o indivíduo está se socializando. Quanto mais adequada a socialização, mais sociável ele poderá se tornar.

Sociabilidade é a capacidade natural do ser humano para viver em sociedade.

Em suma a socialização é a preparação do indivíduo para participar de sistemas sociais.

EXEMPLO:

Família, Escola, Igreja, etc.

 

 

 

 

PAPEL: O HOMEM COMO ATOR SOCIAL

Papel é o conjunto de expectativas de comportamento padronizado em relação a cada uma das posições existentes em uma sociedade, isto é, é o comportamento esperado dos indivíduos em determinado status. O indivíduo desempenha tantos papéis quantos sejam seus status. O papel é, portanto, a expressão comportamental do status, a sua caracterização em ações.

SELF: para Herbert, é a capacidade humana, de ver-se (a si próprio) através dos olhos dos alheios.

 

MUDANÇA SOCIAL

A sociedade é uma realidade que se transforma continuamente, em constante mudança. Algumas sociedades transformam-se com grande rapidez. Outras mudam vagarosamente. De qualquer forma, todas as sociedades estão sempre se transformando.

A mudança social compreende os seguintes fatores:

SOCIAIS: guerras, invasões e conquistas, lutas de classes e revoluções, alteram as estruturas sociais, modificam as nações, escravizam povos, transformam a vida  e destroem culturas.

CULTURAIS: alteram a mentalidade, abrem novas perspectivas, modificam atitudes e transformam a sociedade.

GEOGRÁFICOS: determinados fenômenos naturais, furacões, terremotos, etc. podem alterar, de forma transitória ou permanente, a organização ou a estrutura de uma sociedade. Podem ocasionar migrações, extinção, reconstrução ou fundação de novas cidades.

BIOLÓGICOS: epidemias, elevação da taxa de mortalidade, rápido crescimento da população e a miscigenação de grupos étnicos dão origem a transformações sociais. Podem ocasionar desajustamentos e desequilíbrios nos mais diversos setores da sociedade, alterando a estrutura econômica, a organização do trabalho, administração do poder e o modo de vida das populações.

 

MOBILIDADE SOCIAL

É a locomoção dos indivíduos no sistema de posições na sociedade. A mobilidade social pode ser horizontal ou vertical.

MOBILIDADE HORIZONTAL: Uma pessoa se muda do interior para a capital. No interior, ela defendia idéias políticas conservadoras; agora, na capital, sob novas influências, passa a defender as idéias de um partido progressista. Seu nível de renda, porém, não se alterou. A situação mostra uma pessoa que experimentou alguma mudança de posição social, mas que, apesar disso, permaneceu no mesmo estrato social.

MOBILIDADE VERTICAL: pode ser:
Ascendente: quando a pessoa melhora sua posição no sistema de estratificação social, passando a integrar um grupo economicamente superior a seu grupo anterior.
Descendente: quando a pessoa piora de posição no sistema de estratificação, passando a integrar um grupo economicamente inferior.
O filho de um operário que, por meio do estudo, passa a fazer parte da classe média é um exemplo de ascensão social. A falência e o conseqüente empobrecimento de um comerciante, em contrapartida, é um exemplo de queda social.
Assim, tanto a subida quanto a descida na hierarquia social são manifestações de mobilidade social vertical.

A educação escolar tem sido o canal de mobilidade social mais procurado pelas pessoas.

Em sociedades onde o princípio da racionalidade e o da utilidade são mais relevantes do que a tradição, a qualificação profissional tem se constituído em um eficiente canal de mobilidade social. A educação escolar, no entanto, só funciona como mobilidade social quando existe um mercado de trabalho necessitado de profissionais qualificados.

 

ESTRATIFICAÇÃO

Na Sociologia e em outras ciências sociais, a estratificação social refere-se a um sistema hierárquico entre os indivíduos em divisões de poder e riqueza em uma sociedade. É a diferenciação  entre indivíduos e grupos, segundo suas posições.

EXEMPLO:

 

FONTE: IBGE/2010

 

Os indivíduos e grupos de uma sociedade diferenciam-se entre si em decorrência de vários fatores, formando uma hierarquia de posições, estratos ou camadas mais ou menos duradouras. Este fato real, observado em todas as sociedades, significa que nelas os indivíduos e grupos não possuem a mesma posição e os mesmos privilégios, mas, sob esse aspecto, diferem entre si. Portanto, não existem sociedades igualitárias.

 

 

 

CLASSES SOCIAIS

São típicas de sociedades urbano-industriais do presente e são, as também, chamadas sociedades abertas por ter livre acesso a qualquer camada social, mas na prática, as possibilidades reais de ascensão social não são as mesmas para todos.

 

A SOCIEDADE CAPITALISTA E AS CLASSES SOCIAIS

As classes sociais expressam, no sentido mais preciso, a forma como as desigualdades se estruturam nas sociedades capitalistas.

Marx foi quem procurou colocar no centro de sua análise a questão das classes. Para ele podem-se encontrar muitas classes no interior dessas sociedades. Entretanto, pelo fato de serem capitalistas, isto é, de serem regidas por relações em que o Capital e o Trabalho assalariado são dominantes, em que a propriedade privada é o fundamento e o bem maior a ser preservado, pode-se afirmar que existem duas classes fundamentais: a Burguesia e o Proletariado.

Isto não quer dizer que podemos reduzir toda a diversidade das sociedades a essa polaridade. O processo histórico de constituição das classes e a forma como elas foram se estruturando determinaram o aparecimento de uma série de frações de classes, bem como de Classes Médias ou intermediárias, que ora estão apoiando a burguesia, ora estão junto com o proletariado, podendo ainda em certos momentos desenvolver determinadas lutas específicas.

 

 

 

 

EXEMPLO:

A visão do IBGE, baseada no número de salários mínimos, é mais simples e divide em apenas cinco faixas de classes sociais, conforme a tabela abaixo válida para o ano de 2010 (salário mínimo em R$ 510).

 

 

DESIGUALDADES SOCIAIS

As desigualdades sociais são nitidamente perceptíveis no nosso cotidiano. Basta sairmos às ruas para notar, de um lado, uma grande massa de pessoas que, embora diferentes entre si, revelam certa semelhança e, de outro, uma minoria que se destaca claramente da grande massa.

 

INSTITUIÇÕES SOCIAIS

São conjuntos de valores, crenças, normas, posições e papéis referentes a campos específicos de atividades e de necessidades humanas.

As principais Instituições são:

FAMÍLIA: é considerada o fundamento básico e universal das sociedades, por se encontrar em todos os agrupamentos humanos, embora variem de estruturas e funcionamento.

CASAMENTO: é o modo pelo qual a sociedade humana estabelece as normas para a relação entre sexos. O casamento também pode ser visto como uma união entre homem e mulher de modo que as crianças nascidas desta relação sejam reconhecidas como frutos legítimos de ambos os pais.

RELIGIÃO: meio pelo qual o homem se ajusta a seu ambiente sobrenatural. É imaginário, porém, uma vez que recorreu à crença em alguma religião, tem necessidade de a ela se ajustar.

ESTADO: é um mecanismo de controle social existente na sociedade. É uma organização que exerce a autoridade sobre seu povo, por meio de um governo supremo, dentro de um território limitado, com direito exclusivo para a regulamentação da força.

GOVERNO: gerencia o Estado, são os componentes do deste. Exemplo: Prefeito, Governador, Presidente da República e suas respectivas equipes.

POVO: agrupamento humano com cultura semelhante (idioma, religião, tradições, etc.) e antepassados comuns; supõe certa homogeneidade e desenvolvimento de laços espirituais entre si.

Exemplos: Judeus, Ciganos, Indígenas, etc.

NAÇÃO: é um povo organizado e situado em determinado espaço geográfico. Para que haja uma nação é necessário haver um ou mais povos, um território e a consciência comum.

ESTADO: é uma nação politicamente organizada. É constituído, portanto, pelo povo, território e governo. Engloba todas as pessoas dentro de um território delimitado – governo e governados.

IDEOLOGIA: Para alguns, como Karl Marx, a ideologia age mascarando a realidade. Os pensadores adeptos da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt consideram a ideologia como uma ideia, discurso ou ação que mascara um objeto, mostrando apenas sua aparência e escondendo suas demais qualidades. Já o sociólogo contemporâneo John B. Thompson também oferece uma formulação crítica ao termo ideologia que concentra-se no aspecto das relações de dominação.

PROPRIEDADE: delimita oos direitos referentes às coisas valiosas e escassas. Consiste nos direitos e deveres de uma pessoa ou grupo de pessoas.

PESSOA: um ser inteligente e pensante dotado de razão e reflexão.

INDIVÍDUO: A construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios — sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamento — que balizam a conduta do indivíduo num grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela.

 

MOVIMENTOS SOCIAIS

Podem ser considerados como empreendimentos coletivos para estabelecer nova ordem de vida. Têm eles início numa inquietação e derivam seu poder de motivação na insatisfação diante da forma corrente de vida, de um lado, e dos desejos e esperanças de um novo sistema de viver, de outro.

Exemplos: Parada do orgulho Gay, MST, Separatismo, etc.

 

PRINCIPAIS TIPOS DE MOVIMENTOS SOCIAIS

PROGRESSISTAS: atuam num segmento da sociedade tentando exercer influência nas instituições e organizações; também são chamados de liberais, pois desejam mudanças positivas.

UTÓPICOS: considerados movimentos separatistas, constituem-se na tentativa de criar um novo contexto social ideal para um grupo de seguyidores geralmente pouco numerosos.

Exemplo: O separatismo do Rio Grande do Sul, transformando-o em um país independente do Brasil. Na década de 1990, o Movimento Pela Independência do Pampa gerou polêmica por defender a restauração da República Rio-Grandense, a partir da separação do estado do Rio Grande do Sul do restante do país. Teve entre seus integrantes Irton Marx. Sob a acusação de racismo, Irton foi julgado e inocentado. No ano de 1997, por iniciativa própria, ele deixou o movimento.

FONTE: Jornal Zero Hora.

Obs.: ainda existe este movimento, agora ampliado nos três estados sulistas: PR, SC e RGS, para a formação de um só país.

REFORMISTAS: apresentam-se como uma tentativa de introduzir melhoramentos em alguns aspectos da sociedade, sem alterar sua estrutura básica.

REVOLUCIONÁRIOS: procuram alterar a totalidade do sistema social existente, substituindo-o por outro completamente diferente. Propõem, portanto, dentro da sociedade, mudanças mais rápidas e drásticas. O meio social mais favorável ao desenvolvimento dos MSR é o dos governos autoritários que bloqueiam os desejos de reforma, concentrando o descontentamento social.

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

Após nossos estudos podemos definis a SOCIOLOGIA como o estudo científico das formas culturalmente padronizadas de interação humana.

A Sociologia cumpre precisamente ir além das aparências da vida social e inserir-se nas camadas mais profundas da sociedade, para compreender a “Lógica” oculta da sua organização.

 

REFERÊNCIAS

JOHNSON, A.G. Dicionário de Sociologia: Guia Prático da Linguagem Sociológica.Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1997.

LAKATOS, E.M. Sociologia Geral.5.e.São Paulo. Atlas,1989.

NELSON, D.T. Sociologia da Educação: Série Educador em Construção. São Paulo. Atual.1987.

NOVA, S,V. Introdução à Sociologia.São Paulo.Atlas, 1986.

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WWW.wikiquote.org.br

 

Sobre Feed do Autor

Nascido em Taubaté/SP, profesor de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio, pós-graduado em História do Brasil Republicano, Poeta, Trovador, Escritor e membro correspondente da Academia Pindamonhangabense de Letras.

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