Humanização no atendimento a criança com câncer na visão da enfermagem

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HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO A CRIANÇA COM

CÂNCER VISÃO DA ENFERMAGEM

HUMANIZATION IN ATTENDANCE WITH THE CHILD
VISION OF CANCER NURSING

Cirlei Pereira dos Santos

 

RESUMO

Pesquisa bibliográfica cujo objetivo foi identificar ações de enfermagem descritas na literatura que contribuem para a humanização no atendimento a criança com câncer. A busca do material foi realizada em bancos de dados informatizados, em livros e periódicos da área. Os textos foram selecionados a partir do conteúdo dos resumos e lidos várias vezes a fim de construir os núcleos de sentido. Os resultados demonstram que as ações de enfermagem com vistas à humanização em oncologia pediátrica devem pautar-se na construção do cuidado singular, na integralidade e no respeito à vida.

Palavras chave: Enfermagem, Oncologia, Humanização.

 

ABSTRACT
Bibliographical research aimed at identifying nursing actions described in the literature that contribute to the humanization of care for children with cancer. The pursuit of material was done in computerized databases, books and journals. The texts were selected from the content of the summaries and read several times in order to build the core meaning. The results show that nursing actions aimed at the humanization of pediatric oncology should be guided in the construction of natural care, in full and on respect for life.
Keywords: Nursing, Oncology, Humanization.

 

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Cirlei Pereira dos Santos

Acadêmica de enfermagem da Faculdade Estácio de Sá de Goiás

Endereço: Rua Rb-06Qd. 46 Lt. 83 Recanto do Bosque, Goiânia-Go.

Fone-(62)81643561 [email protected]

 

Introdução

O câncer é um relevante problema de saúde coletiva no Brasil e a nível mundial. É uma doença que ate hoje, mesmo com os avanços tecnológicos para que aja sua detecção e tratamento, ainda é extremamente temida e fortemente associada à morte pela sociedade.

Desde a década de 1970, vem-se notando um aumento das taxas de cura dos tumores na infância, que variam, entre 70% e 90% dos casos em paises desenvolvidos, como os Estados Unidos. No Brasil as crianças e jovens com leucemia linfática aguda (LLA) curam-se em 70% a 80% dos casos (Brasil, 2005).

Assim o seu diagnostico e tratamentos adequados assumem um memorável destaque no processo de remissão da sintomatologia, frente a essa expectativa favorável a cura do câncer infantil. Considerando que a neoplasia infantil passou a ter características de doença crônica e que em muitos casos, tornou-se possível de cura, faz-se necessário a investigação da importância da enfermagem e família durante o tratamento da doença.

Quando uma criança adoece de câncer, sua vida é modificada, assim como o cotidiano familiar. De repente, ela se vê cercada de pessoas estranhas em um ambiente desconhecido. Mesmo que não se tenha idade para entender a realidade que a rodeia, ela se dá conta de que algo temível e grave está acontecendo.

Segundo Valle et al (1997) “O adoecer é uma possibilidade e sendo um fato real que pode surgir a qualquer momento da vida do ser humano, podemos concebê-lo como algo que faz parte da natureza humana”.

Uma bateria de exames, vários procedimentos invasivos, a hospitalização a sensação de perda diante de um acontecimento que coloca em face do desconhecido, os comunicados da equipe de saúde, os códigos do ambiente hospitalar são situações vivenciadas pela família. E na tentativa de poupar a criança, familiares experimentam sentimentos de desamparo, que comprometem seu bem estar emocional.

Para Lopes et al (2001), o câncer infantil e seu tratamento têm um impacto sistêmico sobre a organização familiar, que a torna vulnerável ao sofrimento psíquico que atinge não apenas a criança, como também seus cuidadores.

Neste trabalho enfocamos capacitar essas famílias que muitas vezes contem-se impotentes para satisfazerem as necessidades relacionadas aos cuidados de saúde de suas crianças é uma intervenção que pode ser feita pelos enfermeiros.

 

Objetivo

 

O objetivo deste trabalho é identificar na literatura ações de enfermagem que contribuem para a humanização no atendimento a criança com câncer, e destacar sua importância como agente facilitador no processo de tratamento e cura.

Metodologia

Trata-se de uma revisão bibliográfica abrangendo o período de 1997 a 2007, tem por finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo que foi escrito, dito ou filmado sobre o assunto. Não sendo uma repetição do que já foi dito anteriormente sobre certo assunto, mas implica um exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem chegando a conclusões inovadoras devido à organização do material e as tendências ou versões com que determinado assunto é abordado. Lakatos (2000).

Para a seleção dos artigos, utilizou-se o Scielo e Bireme como base de dados, e o Google Acadêmico como site de busca de artigos científicos, dispondo de 18 artigos para amostra da revisão, além dos 3 livros utilizados. Os critérios de inclusão dos artigos definidos, inicialmente, foram: artigos publicados em português e com os resumos disponíveis na base de dados selecionados e no site de busca, quanto aos livros, buscaram-se aqueles que traziam em seu conteúdo diagnóstico e tratamento de pacientes oncológicos. As palavras chave utilizadas na busca on-line foram: enfermagem, oncologia, humanização. Os dados foram coletados durante um período de 100 dias, entre os meses de março e junho de 2010.

 

Análise dos Resultados

O estudo nos revelou que o processo de hospitalização pode ser uma experiência difícil, desagradável, negativa para a vida da criança internada. Essa por sua vez tem sua rotina completamente alterada devido às limitações que o tratamento impõe. Hospitalizações prolongadas, procedimentos médicos invasivos e dolorosos, efeitos colaterais e o sentimento de impotência da criança frente ao desconhecido. Esses fatores, por sua vez, podem gerar certa irritabilidade, mau humor, depressão entre outros. Assim, é oportuno repensar as ações em saúde neste âmbito, visando à humanização da assistência em pediatria pautada no atendimento das necessidades de todos os agentes envolvidos nesse processo. Bussotti, E.A. et al (2001).

Para iniciar a discussão do tema proposto surge nosso primeiro questionamento: qual o significado da humanização da assistência em saúde e no que consiste esse processo? A enfermagem como agente facilitador no processo de humanização pode ajudar a criança aceitar melhor à idéia do processo de internação, bem como, o processo de recuperação?

 

Humanização

A palavra humanização pode ser entendida como a maneira de ver e considerar o ser humano a partir de uma visão global, buscando superar a fragmentação da assistência. Um dos aspectos que envolvem uma prática dessa natureza está relacionado ao modo como lidamos com o outro. Uma das características do processo de trabalho em saúde é que o mesmo “se funda numa inter-relação pessoal muito intensa”. Nogueira RP. (2000). Assim, essa característica implica em fazermos a diferença no modo como lidamos com outro, tratando-o com dignidade e respeito, valorizando seus medos, pensamentos, sentimentos, valores e crenças, estabelecendo momento de fala e de escuta.  A humanização “não pode ser pensada sem re-pensarmos paralelamente a questão da educação como prioridade numa agenda de mudanças, pois o que percebemos hoje é que a educação no campo da saúde encontra-se reduzida à informatização e a instrumentalização tecnológica em detrimento dos aspectos éticos e humanos que estas tecnologias implicam.” Ratto KMN. (2001).

Mais do que isso “humanizar não é uma técnica ou artifício, é um processo vivencial que permeia toda a atividade das pessoas que assistem o paciente, procurando realizar e oferecer o tratamento que ele merece como pessoa humana, dentro das circunstâncias peculiares que se encontra em cada momento no hospital.” Lima GC (2004).

E, nesse ambiente, a humanização representa um conjunto de iniciativas que visa à produção de cuidados em saúde capaz de conciliar a melhor tecnologia disponível com promoção de acolhimento e respeito ético e cultural ao paciente, de espaços de trabalho favoráveis ao bom exercício de saúde e usuários. Lamego DTC, et al (2005).

Já na humanização do cuidado pediátrico o Ministério da Saúde preconiza várias ações, as quais estão voltadas para o respeito às individualidades, à garantia da tecnologia que permita a segurança da criança e o acolhimento da criança e sua família, com ênfase no cuidado voltado para o desenvolvimento e psiquismo, buscando facilitar a díade (família-criança) durante sua permanência no hospital e após a alta.

A partir da literatura pesquisada, identificamos ser de fundamental importância à equipe de enfermagem que atua em oncologia pediátrica, a busca de medidas que minimizem o sofrimento e a dor da criança e sua família. Nesse sentido, devemos enfatizar a humanização do processo de assistir por meio de reconhecimento e tratamento adequado dos agentes estressores a díade (família-criança).

Dessa forma, é necessário investir na formação e sensibilização dos profissionais de saúde das unidades pediátrica promovendo não somente a capacitação técnica, mas, também, sensibilizando-os para que planejam a assistência pautada nos fundamentos da humanização e da integralidade do cuidado, a fim de proporcionar a criança e sua família um ambiente tranqüilo e acolhedor, apesar da situação de hospitalização vivenciada.

 

A enfermagem como agente facilitador no processo de humanizar

São muitos os fatores considerados como causadores de estresse para as crianças, família e equipe, em especial, a de enfermagem.

No tocante à equipe de enfermagem, essa assume um leque de atribuições, capacidades e responsabilidades que são essenciais para avaliar, entender e apoiar com segurança a criança e a sua família durante esse tempo crítico. Moreira MEA. (2005).

É inquestionável que a atuação no âmbito da recuperação física da criança é prioridade, mas existe a consciência da necessidade de serem utilizados meios para minimizar o estresse em todo o seu contexto.

Com isso, medidas devem ser adotadas de acordo com a realidade e possibilidade de cada serviço, para diminuir os efeitos negativos e/ou problemas psicoemocionais, comportamentais e motores, desencadeados pela doença e/ou permanência da criança no hospital.

Pelo exposto, compreendemos que a enfermagem tem papel relevante no tratamento da criança, devendo fundamentar suas ações em conhecimentos científicos. Cabe ao enfermeiro do setor de oncologia pediátrica organizar o ambiente, planejar e executar os cuidados de enfermagem de acordo com a necessidade individualizada e resposta de cada criança, exercendo assim, uma assistência integral, de qualidade e humanizada.  Scochi CGS et al (2001).

A capacitação dos profissionais de enfermagem para apreender as necessidades singulares de cada criança é de grande importância para que os procedimentos e cuidados de rotina, dolorosos e invasivos, sejam empregados de forma individualizada e singular. Um dos primeiros passos nesse sentido é a observação acurada das respostas comportamentais e fisiológicas da criança, visando à diminuição do estresse e da dor, contribuindo para o seu conforto, segurança e desenvolvimento. Para que a assistência de enfermagem a criança seja de qualidade, é fundamental atender às necessidades de repouso, calor, nutrição, higiene, observação e atendimento contínuo as crianças (Moreira MEA 2005). A autora destaca que a observação rigorosa do comportamento da criança deve ser feita antes dela ser submetida a uma manipulação, durante os cuidados rotineiros e depois da execução dos mesmos, com a finalidade de identificar sinais de dificuldade de adaptação da criança ao ambiente hospitalar. Porém, vale ressaltar que não deve se deter apenas ao atendimento das necessidades biológicas da criança, mas envolver suas necessidades emocionais, apreendendo-o de forma holística.

Nesse contexto, é imperativo ressaltar a importância da atenção e do cuidado aos familiares nesse processo, em particular aos pais.

Atualmente, observamos que a atenção aos pais, muitas vezes, limita-se a informações voltadas a questionamentos sobre a rotina hospitalar e sobre a situação da criança, não havendo preocupação, na maioria dos casos, com os aspectos emocionais desses familiares. Bradt, J. O (2000).

Autores afirmam que as características peculiares desse papel incluem a habilidade de reconhecer e conviver com a família na situação de doença, incluindo-a no planejamento dos cuidados da criança, bem como, respeitando suas decisões em relação ao tratamento. Bradt, J. O (2000). Além disso, acreditamos que, ao valorizar a presença da família, sobretudo dos pais, durante o tratamento da criança, o enfermeiro e toda sua equipe desempenham um papel singular no cuidado a criança.

Entretanto, podemos observar ainda que, na prática clínica, o desempenho do papel da enfermagem junto aos pacientes nem sempre revela ações de apoio à interação pais/criança, mas se mostra centrados nos aspectos técnico-biológicos, o que se constitui em fonte geradora de conflito, na medida em que tal situação reflete contradição entre a formação acadêmica e o exercício profissional. Scochi CGS et al (2001).

Ainda neste contexto, identificamos que a literatura aponta que as condições insatisfatórias de trabalho relacionadas à precariedade de recursos humanos, acarretam sobrecarga emocional e de trabalho, contribuindo para que a assistência direta ao paciente não seja assumida como prioritária pelo enfermeiro. Diante das ansiedades que envolvem o trabalho em oncologia pediátrica, a equipe de enfermagem utiliza mecanismos defensivos, como o distanciamento do paciente, negando, assim, os aspectos psicológicos dos mesmos e seus próprios sentimentos e desejos.  Scochi CGS et al (2001).

Associado a isso, está o fato de que, em geral, a fadiga pelo ritmo de trabalho excessivo; lidar com questões de vida e morte continuamente; questões éticas que impõem decisões freqüentes e difíceis; alto grau de exigência dos demais profissionais do hospital, da família dos pacientes, e dos próprios colegas de equipe, pode acarretar desestruturação emocional.

Todos estes fatores fazem com que a equipe de enfermagem se esqueça de visualizar o ser humano que está à sua frente. Assim, torna-se difícil implementar a essência do aspecto humano relacionado ao cuidado de enfermagem.

O preparo dos pais para verem seu filho recebendo quimioterapicos pela primeira vez constitui uma responsabilidade da enfermagem. Antes da primeira quimioterapia os pais ou outros familiares devem ser preparados quanto ao aspecto da criança, o equipamento que está conectado ao mesmo e alguma informação acerca da atmosfera geral da unidade.

É importante que os profissionais de enfermagem, implementem suas ações no fortalecimento de relações interpessoais que envolvam a criança e seus pais, possibilitando reflexões e fornecendo apoio necessário acerca de seus conhecimentos, ansiedades e expectativas. Tal conduta é prioritária, em se tratando de oncologia pediátrica, pois neste setor a capacidade técnica é fundamental para a sobrevida das crianças, porém priorização das questões relacionadas às necessidades psicoafetivas das crianças e de seus familiares não deve ser deixada de lado.                                                                                                                                                Carvalho RMA. (2002).

A enfermagem e a família sempre estiveram próximas, vivendo momentos difíceis que demandam dela ações, sentimentos e pensamentos que, muitas vezes ultrapassam suas possibilidades conhecidas, a família necessita de um enfermeiro capaz, que lhe ajude a olhar esses momentos como possibilidade de superar-se nas habilidades que lhe faltam para o enfrentamento da doença da criança. Lamy ZCP, et al. (2000).

A equipe de enfermagem devido a sua disponibilidade, permanência, acessibilidade e à variedade de contexto nos quais encontram os pacientes, tem a oportunidade de aliviar o intenso estresse dos pais e a ansiedade associada à tragédia do evento ou da doença em si.

Salientando o papel da enfermagem na pediatria, ressaltamos que “a assistência e o cuidado de enfermagem devem ser considerados como a mola propulsora para humanizar o ambiente hospitalar.” Araújo AD et al. (2005).

A comunicação é necessária ao relacionamento interpessoal profissional de enfermagem/familiares. A equipe de enfermagem deve demonstrar sensibilidade à comunicação verbal e não-verbal, capacidade de ouvir atentamente, saber o que falar quando falar e utilizar uma linguagem clara e acessível. Lamy ZCP, et al. (2000).

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Além da linguagem apropriada para o nível de conhecimento dos pais, a equipe de enfermagem deve proporcionar aos pais ou a outros familiares, a oportunidade de ajudar nos cuidados com a criança, é extremamente útil ao adaptamento da nova situação.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração pela equipe de enfermagem, diz respeito aos horários de visitas que são dispensados aos familiares, sendo estes, momentos em que o envolvimento dos pais e familiares com a equipe poderia ser intensificado no sentido de se promover o apego com a criança. Sem dúvida, esta é uma oportunidade de a enfermagem prestar-lhes informações, não apenas sobre o quadro clínico, mas sobre o funcionamento do setor de oncologia pediátrica, e, sobretudo, demonstrar interesse pela presença e pelos cuidados que podem ser prestados pelos familiares a criança.

Durante este momento, a enfermagem pode acompanhar a duração do tempo que os pais permanecem com a criança e como eles agem, como dirigem sua atenção, que comentários fazem durante esse tempo e que habilidades, mostram ter, que propicie um cuidado satisfatório ao seu filho. Neste período, também é oportuno propiciar informações à família, sobre as rotinas da unidade hospitalar.

Percebemos que o relacionamento entre o profissional de enfermagem e a família deve ser um encontro de subjetividades do qual emergem novas compreensões e interpretações, contribuindo para o sucesso do tratamento e a recuperação da criança com câncer durante a hospitalização.

Nesse sentido, é importante estarmos atentos ao fato de que “as propostas de humanização em saúde também envolvem repensar o processo de formação do profissional, ainda centrado, predominantemente, no aprendizado técnico e individualizado, com tentativas muitas vezes isoladas de exercício da crítica, criatividade e sensibilidade levando a cristalização dos sentimentos do profissional na construção de uma relação de ajuda eficiente aos usuários dos serviços de saúde bem como seus familiares.” Fernandes CNS,et al. (2006).

A literatura pesquisada aponta que humanizar a assistência à família e a criança implica oferecer um cuidado integral e singular a ambos, dando ênfase às suas crenças, valores, individualidades e personalidade, uma vez que cada ser é único, porém, envolvido em um contexto familiar, que possui uma história de vida, e por isso, deve ser respeitado para que se possa manter a dignidade desse grupo durante a hospitalização.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista o objetivo delimitado no processo de realização desta pesquisa, a saber, identificar na literatura ações de enfermagem que contribuem para a humanização da assistência a criança com câncer salientamos que a análise revelou que essas ações envolvem aspectos relacionados ao ambiente hospitalar, ao vínculo afetivo entre pais/família e filho tendo a enfermagem como agente facilitador no processo de humanização.

Este estudo apresenta aspectos que podem minimizar o estresse no setor de oncologia pediatria como uma das formas de humanização do cuidado. Para tanto, acreditamos ser necessário extrapolar ações individuais para a busca da construção de processos coletivos envolvendo todos os agentes que participam da assistência. Isso implica em garantir uma equipe em número suficiente e capacitada tecnicamente para o consumo de tecnologias disponíveis para melhorar e prolongar a vida da criança, em criar ambientes de trabalho que promovam o relacionamento interpessoal, em humanizar as relações de trabalho, em promover ambiente seguro e confortável a criança, família e equipe. Assim, os gestores dos serviços precisam estar sensibilizados para atender às demandas específicas desse setor no hospital.

A humanização da assistência à criança com câncer deve se pautar no cuidado singular, na integralidade e no respeito à vida.

 

É dependente do encontro envolvendo cuidador e ser cuidado. A construção da “integralidade não deve ser transformada em um conceito, mas sim numa prática do cuidado que trata da valorização da vida, do respeito ao outro e das diferenças entre os seres humanos”. Pinho IC, et al. (2006). Portanto, momentos de reflexão acerca do processo de trabalho no cotidiano são fundamentais a fim de se rever as práticas.

A humanização do cuidado aparece relacionada a atitudes de dar atenção, ter responsabilidade, cuidar bem, respeitando as particularidades de cada um, e principalmente promovendo uma assistência integral a criança com câncer e família. De acordo com os profissionais, ação humanitária relaciona-se com a maneira como se cuida.

O cuidado com a manipulação, postura, som, luz, estresse e dor, à luz do conhecimento das capacidades da criança, não podem deixar de ser considerados pela equipe. Esta atitude, em muito enriquecerá a equipe de saúde, em especial a enfermagem, uma vez que novos alicerces serão construídos, com mudanças de paradigmas para uma nova prática.

Apesar do grande esforço que os profissionais de enfermagem possam estar realizando no sentido de humanizar o cuidado em oncologia pediátrica, esta é uma tarefa difícil, pois demanda atitudes às vezes individuais contra todo um sistema tecnológico dominante. E, muitas vezes, a própria dinâmica do trabalho em oncologia pediátrica não possibilita momentos de reflexão acerca do seu processo de trabalho.

A presença efetiva da equipe de enfermagem com escuta sensível é tão importante quanto o procedimento técnico, uma vez que nem sempre os conhecimentos técnicos funcionam tão bem diante das situações de estresse. Somente vendo, escutando e sentindo a criança e a família como um todo, estaremos atendendo e compreendendo a essência do cuidar humano.

É oportuno destacar a responsabilidade que a enfermagem possui de envolver os familiares, centrado na figura dos pais, no cuidado direto aos seus filhos.

Métodos e intervenções devem ser implementados, com a finalidade de propiciar a participação dos mesmos no cuidado de tais crianças, com o auxílio de procedimentos estritamente necessários a sua evolução, minimizando condutas agressivas e estressantes.

 

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Sobre Feed do Autor

graduada em enfermagem pela fago especialista em oncologia. especialista em docência universitaria

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