Pular corda: uma possibilidade biopsicossocial na educação fisica escolar

Categorias: Acadêmicos & Escolares, Educação Física
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Pular corda: uma possibilidade biopsicossocial na educação fisica escolar

 

WILLACI MACEDO OLIMPIO¹

Ricardo Felipe de Souza Caramês2

Universidade Nilton Lins – UNL

Área de Saúde

Manaus – AM

 

 

 

 

RESUMO – Este estudo é resultado de varias leituras e pesquisas bibliográficas sobre o pular corda, jogos e brincadeiras tradicionais dentro da escola, assim mostrando a parte biopsicossocial no âmbito escolar dos alunos, o objetivo desse estudo é fazer um resgate cultural e o pular cordas embalado pelas ladainhas, até porque na atualidade foi esquecido perante uma sociedade capitalista, e também é visto que hoje em dia as crianças sofrem com problema de menos espaço para brincar, pelo fato que agora existem menos bosques, parques e ruas não movimentadas, juntamente com a falta de segurança, e isso além da concorrência com a tecnologia e outros fazeres cognitivos, para concorrer em um futuro mercado de trabalho acirrado. Dessa forma o pular corda melhora no desenvolvimento tanto físico, quanto psicológico e social, pelo fato da interação com a racionalidade da criança, e com a interação dos colegas no âmbito escolar, afinal para muitas crianças a escola é o único espaço que elas tem para brincar, assim tornando a Educação Física Escolar uma disciplina diferente de épocas anteriores, assim a cultura sendo resgatada para a vida da criança.

 

PALAVRAS CHAVE: Pular Corda- Crianças- Educação Física Escolar.

 

 

ABSTRACT – This study is the resulted of several readings and libary research on the al readings and library research on the jump rope, play traditional games and inside the school, thus showing the part of the biopsychosocial students in the school, the aim of this study is to make a cultural revival and jump ropes wrapped by litanies, especially because today was forgotten before a capitalist society, and is also seen that children today suffer from problem of less space to play, because now there are fewer forests, parks and streets without movements, together with the lack of security and that apart from the competition with technology and other cognitive doings, to compete in a fierce job market future. Thus, the jump rope in the development improves both physical and psychological and social interaction with the fact that the rationality of the child, and the interaction of colleagues in the school, after school for many children is the only space they have for play, thus making the physical education discipline different from previous times, so the culture being rescued for the child’s life.

 

Key words: Jump rope, Children, Physical Education

 

 


  1. 1.      INTRODUÇÃO

 

Pensar em algum tipo de intervenção na prática pedagógica da Educação Física Escolar é imaginar que um conhecimento pronto, acabado, geralmente gerado na academia, e fazer com que os professores utilizem em seu dia- dia.

Da mesma forma, pensar em pesquisa na escola significa, em ir ao local de trabalho dos professores e aplicar entrevistas, questionários, filmar ou fazer algum experimento e, depois, esquecer o que foi feito, sem ao menos retornar os resultados da pesquisa aos mesmos.

Por outro lado, é impossível pensar no aumento do conhecimento sem refletir em se produzir pesquisas. A qualidade do ensino e da formação do professor depende não de forma exclusiva, mas da melhoria da qualidade das pesquisas educacionais. Também não faz sentido pesquisar apenas em laboratórios, é necessário o conhecimento da realidade para que se possa dar conta da complexidade do contexto escolar. Portanto, faz-se necessário uma nova forma de se ver o universo tanto educacional, quanto da pesquisa em educação.

No mundo atual contemporâneo e globalizado tem surgido várias propostas que buscam a compreensão do processo de ensino, objetivando sempre melhorar sua qualidade. O presente trabalho busca resgatar a cultural infantil dentro da escola. Razão pela qual, discordo sobre o jogo, a pluralidade cultural do jogo, a importância dos jogos tradicionais, o desenvolvimento das habilidades motoras e das qualidades físicas no jogo de pular corda, bem como a função das ladainhas dentro do contexto escolar.

 

  1. 2.      JUSTIFICATIVA

Tendo em vista que a educação física se faz necessária na realidade do mundo contemporâneo, onde as características principais são a globalização e a competitividade no mercado de trabalho, torna-se de fundamental importância uma formação que se articule com a realidade social de nosso estado onde o ponto de partida deve ser a pesquisa. O ato de investigar deve estar presente em nossa formação. Entretanto, o profissional de Educação Física deve ter várias competências ao término de sua formação acadêmica tais como: Planejar, Aplicar e Avaliar suas atividades profissionais. Evidentemente que para tanto deve preparar-se buscando conhecimentos que o fortaleçam enquanto profissional. O presente estudo visa observar o desenvolvimento da criança dentro do ambiente escolar a partir das brincadeiras e dos jogos de pular cordas, e, através desses jogos são desenvolvidas as habilidades motoras nas quais são essas habilidades, e ainda durante o jogo de pular cordas ajuda na contribuição para o desenvolvimento da organização espaço-temporal da criança. Assim o que fica em evidencia nos dias atuais é que em nossa sociedade existe um amplo esquecimento e abandono dessas atividades recreativas, assim levando que vários fatores podem ser apontados para esse acontecimento.

Segundo CATUNDA-2005, (…) do processo de desvalorização das brincadeiras de rua. Os fatores que influenciam esse processo são vários, como: diminuição do tempo de brincar, sumiço do espaço público onde as crianças possam reunir os grupos, a violência dos centros urbanos, a TV, o brinquedo eletrônico, computador, e entre outros, o fato de os profissionais de educação física, na escola, ao valorizarem excessivamente o conteúdo esporte, esqueceram a cultura do brincar, que também é conteúdo rico a ser trabalhado nas aulas.

Buscando refletir a partir da realidade de nossa sociedade, acredito que a escola é o ambiente ideal para o desenvolvimento destas atividades, favorecendo o resgate cultural infantil e tornando as atividades recreativas presentes no atual contexto escolar.

Acredito dessa maneira que o pular corda, dessa maneira, assim envolvendo a parte biopsicossocial das crianças possam ter um resultado em que muitas dessas crianças vão ao fazer essa atividade pode-se melhorar em seu rendimento físico e social, trazendo vantagens, como o resgate dos jogos tradicionais, pois uma brincadeira pode influenciar outra, assim como também as ladainhas no pular corda, dessa forma através de um bom trabalho pode-se melhorar a existência de vida e com isso trazendo uma melhor forma física, mental e social.

  1. 3.      OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

 

Resgatar a cultura infantil nas aulas de educação física na Escola através de atividades lúdicas utilizando o jogo de pular corda, embalado pelas ladainhas.

 

3.2 Objetivos Específicos

 

– Resgatar os jogos tradicionais dentro da escola.

– Melhorar a parte biopsicossocial dos alunos dentro da escola.

– Através das brincadeiras tradicionais irá haver um resgate cultural.

  1. 4.      REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Pular corda: uma possibilidade biopsicossocial na educação física escolar

Jogos e brincadeiras fazem parte da vida de muitas crianças, assim YANKA OLUSOGA (2011) diz que todas as crianças pequenas têm uma necessidade biológica de brincar e através das brincadeiras elas se desenvolvem cognitivamente, física e socialmente.

(…) O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mais absolutamente obrigatórias, dotados de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de um ser diferente da vida quotidiana (HUIZINGA-2005).

O que se observa é que temos grande dificuldade em diferenciar brinquedo, brincadeira e jogo na nossa língua, entretanto, devemos ter consciência do que representa o entendimento de cada uma dessas palavras para a Educação Física. A partir do jogo, também podemos observar se ele é regrado, se é prazeroso, se quem o pratica está fora da realidade, sem obrigação. Desse modo o jogo tem essa idéia de limites, libertação e invenção. Contudo, ainda tem um ponto a ser comentado que é: o jogo torna fácil o que era difícil, ou seja, com ele a criança aprende e tem a possibilidade de superar seus limites.

“O jogo é uma categoria maior, uma metáfora da vida, uma simulação lúdica da realidade, que se manifesta que se concretizam quando as pessoas fazem esporte, quando lutam, quando fazem ginástica, ou quando as crianças brincam”, (FREIRE & SCAGLIA,-2003,pg. 93).

 

4.2  Brincar, aprendizagem para a vida.

Através dos jogos e de brincadeiras, pode-se afirmar que a cada passo que se dá, é uma passo que não pode ser mais retirado, assim com as atividades realizadas existe um melhoramento de habilidades e vertentes psicomotoras e sociais de cada criança, ou seja, com o tempo que essa criança aprende uma habilidade pode-se ver também que leva para sua vida, assim quando aperfeiçoa o pular corda melhora em outras atividades para sua vida.

Segundo PAM JARVIS E JANE GEORGE (2011), descobriu que as crianças que fizeram lanços fortes de amizades nos primeiros anos eram emocionalmente mais resistentes ao longo da transição para o Ensino Fundamental, e se acostumavam mais confortavelmente com as exigências acadêmicas do ensino formal.

Assim, as crianças para terem uma melhor aprendizagem e socialização muitas das vezes mesmo com a deficiência de segurança muitas delas vão parar na rua para realizar brincadeiras, mas de qualquer forma o pular corda mesmo com baixa influencia nas atividades infantil acaba entrando no meio, ocasionando maior risco a essas crianças, mesmo assim pode-se notar que elas possuem um maior beneficio psicossocial entre elas, porém nem todas as crianças podem ter absorver isso, mas no fim a brincadeira acaba ajudando depois em muitas outras atividades físicas.

JARVIS (2011, pq. 24), crianças da Educação Infantil que são populares entre seus colegas lidam habilmente com a sociedade playground, reconhecendo como petentemente propostas de outras crianças que buscam brincadeiras duras e brutas”.

Os jogos e brincadeiras variam de região entre região, e mesmo assim mantém sua essência, em uma forma e poesia. Assim uma das principais variações dessas brincadeiras é a letra das canções e o próprio nome dos jogos, mas podemos observar em nosso país que é uma grande riqueza desses jogos e brincadeiras, assim que uma vez que temos descendência portuguesa, negra e indígena. Julgando aos profissionais de Educação Física, o jogo faz parte de seu conteúdo programático principalmente como estratégia e neste sentido cultural colabora para que seja passado de geração em geração contribuindo para a cultura da criança, assim o pular corda em crianças entra em uma parte geneticamente que é necessário ter uma forma física que proporcione essa atividade.

 

  1. 5.      O JOGO TRADICIONAL INFANTIL

Está ligado ao folclore, incorpora a mentalidade popular, expressando-se, sobretudo, pela oralidade. Está ligado à cultura popular e manifesta a produção espiritual de um povo em certo período histórico. Essa cultura não oficial, desenvolvida especialmente de modo oral. Esta sempre se renovando, incorporando criações anônimas de gerações para gerações. Não se conhece a origem desses jogos. Seus criadores são anônimos sabe-se, apenas, que são provenientes de práticas abandonadas por adultos. A tradicional idade dos jogos assenta-se no fato de que povos distintos e antigos como os da Grécia do oriente brincavam de amarelinha, empinar papagaios, jogar pedrinhas e hoje ainda se vêem crianças realizando quase da mesma maneira.

Uma das características principais dos jogos tradicionais é preservar em sua estrutura inicial, outros se modificam e recebem novos conteúdos. Sua função, enquanto manifestação espontânea da cultura popular é perpetuar a cultura infantil e desenvolver formas de convivência social.

O jogo tradicional infantil é um tipo de jogo livre, espontâneo, no qual a criança brinca pelo prazer de fazê-lo. Por pertencer a categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança, o jogo tradicional infantil tem um fim em si mesmo e preenche a necessidade de jogar da criança. Das brincadeiras acompanham a dinâmica da vida social permitindo alterações e criações de novos jogos (KISHIMOTO, 2003).

A escola por excelência é um ambiente de cultura e os jogos tradicionais não são uma atividade do passado ou de futuro, mas de presente, por este motivo é primordial para educação física escolar.

Segundo IVIC & MARJANOVIC EM KISHIMOTO 2003, apontam pelo menos cinco hipóteses que justificam o emprego dos jogos tradicionais na educação:

  1. os jogos tradicionais, por estarem no centro da pedagogia do jogo, devem ser preservadas na educação contemporânea;
  2. o brincar, como componente da cultura de pares, como prática social de crianças de várias idades, não pode ser deslocado para um tipo de escolarização em que predomine apenas relações criança-adulto;
  3. jogos tradicionais podem representar um meio de renovação da prática pedagógica nas instituições infantis, bem como nas ruas, férias, etc.;
  4. os jogos tradicionais são apropriados para preservar a identidade cultural da criança de um determinado pais ou imigrantes e;
  5. ao possibilitar um grande volumes de contatos físicos e sociais, os jogos tradicionais infantis compensam a deficiência de crianças residentes em centros urbanos, que oferecem poucas alternativas para tais contactos.

Historicamente as brincadeiras infantis têm íntima relação com a evolução das novas condições de vida. Hoje a industrialização e a urbanização alteram o cenário das grandes cidades, acabando com os grandes espaços públicos ideais para manifestação da expressão lúdica infantil, levando ao esquecimento grande parte da bagagem cultural infantil.

 

  1. 6.      AS HABILIDADES MOTORAS BÁSICAS NECESSÁRIAS PARA PULAR CORDA.

No jogo tradicional de pular corda esses movimentos locomotores fundamentais envolvem a projeção do corpo no espaço. São eles: caminhar, correr e saltar.

A caminhada tem sido muitas das vezes definida como um processo de perder e de recuperar o equilíbrio continuamente, enquanto nos movimentamos para frente, em posição ereta. O padrão de caminhada tem sido extensamente estudado em bebes, crianças e adultos (GALLAHUE & OZMUN 2003).

A corrida é uma forma exagerada de caminhada. Difere desta porque existe uma breve fase de elevação em cada passada, na qual o corpo fica fora de contacto com a superfície de apoio (GALLAHUE & OZMUN 2003).

Elevar-se do chão imprimindo ao corpo um impulso mais ou menos rápido; saltar é um movimento exclusivo que requer o desempenho coordenado de todas as partes do corpo. Trata-se de um padrão motor complexo (…) (GALLAHUE & OZMUN 2003).

No trabalho com crianças, estas habilidades motoras básicas são realizadas espontaneamente por cada criança, são movimentos que podemos potencializar no ensino fundamental e mais, trazer para as aulas atividades que busquem desenvolver o potencial já existente em cada um de nossos alunos.

6.1 Valências físicas básicas do pular cordas

Devemos ter atenção especial ao que se refere às qualidades físicas básicas, pois elas são extremamente importantes no desenvolvimento infantil, e algumas podem ser desenvolvidas a partir do jogo de pular corda embalados pelas ladainhas.

Segundo TUBINO & MOREIRA 2003:

  • A agilidade é a qualidade física que permite mudar a posição e/ou a trajetória do corpo do menor tempo possível;
  • A força é a qualidade física que permite um músculo ou um grupo de músculos produzir uma tensão e se opor a uma resistência;
  • A velocidade é a qualidade física particular dos músculos e das coordenações neuromusculares que permite a execução de uma sucessão rápida de gestos, em seu encadeamento, constituem uma só e mesma ação, de uma intensidade máxima e de uma duração breve ou muito breve;
  • O equilíbrio é a qualidade física conseguida por uma combinação de ações musculares com um propósito de assumir e sustentar controladamente a posição do corpo;
  • A coordenação é a qualidade física que permite controlar a execução de movimentos, por meio de uma integração progressiva de cooperações intra e inter musculares, favorecendo uma ação com uma máxima de eficiência e economia energética;
  • A resistência é a qualidade física que permite um continuado esforço durante o maior tempo possível;
  • A flexibilidade é a qualidade física que condiciona a capacidade funcional das articulações a movimentarem-se dentro dos limites ideais de determinadas ações;
  • O é a qualidade física explicada por um encadeamento de tempo, um encadeamento dinâmico-energético, um sincronismo de tensão e de repouso, em fim, uma variação regular com repetições periódicas.

As valências físicas durante o pular corda envolve a coordenação motora de toda a criança.

7. LADAINHAS

Ladainhas para saltar cordas são melodias curtas que marcam o da batida das cordas e definem o número de saltos que cada criança tem que dar. Ajuda desenvolver o rítmo, quando as ladainhas são feitas em cordas coletivas existe o ajuste do individual ao do grupo, ou seja, aquela que salta com daquelas que giram à corda, desenvolve as habilidades motoras de saltar e correr, e ainda as qualidades físicas de agilidade e coordenação motora.

Ladainhas para saltar cordas na aula de Educação Física são precisas para o desenvolvimento da orientação tempo e espaço veja, por exemplo: quando a criança vai entrar na corda e faz aquele movimento de espera da batida da corda, ela está esperando o melhor tempo para sua entrada na corda e também está calculando a distancia que ela tem que percorrer para que ela possa fazer o movimento com desenvoltura e para sair da corda esses movimentos também terão que ser obedecidos, também vale dizer que todo esse movimento envolve cooperação entre as que saltam e as que giram a corda.

Segundo LE BOULCH 1987, Os exercícios de coordenação global situam-se ao nível do vivido e da experiência imediata; o mesmo ocorre com os jogos. O espaço é, neste nível, objeto de uma percepção direta em função da ação e não de uma representação mental.

  • A apreciação das direções, a orientação no espaço.

– A relação entre o corpo e os objetos, entre o corpo e as pessoas, colocam o problema de sua orientação recíproca;

  • A apreciação das distâncias – a visão.

– A possibilidade de localizar um objeto no espaço em função de nossa ação implica, além da apreciação de sua direção, a avaliação de sua distância;

  • Localização de um objeto em movimento.

Quando o objeto se desloca, as relações espaço-tempo resultantes implicam:

– A apreciação da trajetória descrita pelo móvel no espaço;

– A apreciação de sua velocidade e, eventualmente, a previsão de sua posição nos movimentos subseqüentes.

O professor amplia, ou seja, pede para a criança criar em cima, acrescenta coisas novas e sistematiza na medida em que ele tem o compromisso com a complexidade, ele vai buscando tarefas mais complicadas em cima daquelas que as crianças já apresentam com vistas ao desenvolvimento do domínio motor, domínio afetivo e domínio cognitivo.

Quero lembrar que a educação física não é só desenvolvimento motor, implica no desenvolvimento também do domínio sócio-afetivo, da comunicação que nada mais é do que o diálogo e o diálogo é a representação da comunicação. Em ladainhas em que ocorre o diálogo, ou seja, a verbalização da brincadeira a comunicação está presente.

O professor também tem que buscar a competência, então na medida do possível ele vai procurando complicar a brincadeira incluindo movimentos novos como é o caso daquela ladainha “senhoras e senhores…”(vide anexo).

Na verdade a escola deve ser uma escola alegre, a escola que sonhamos é uma escola na qual a criança aprende se divertindo.

As ladainhas para saltar cordas têm essas características lúdicas, mas, elas não são uma coisa nova, são passadas de geração para geração, de pais para filhos e de crianças para crianças. Alem disso, a um exercício da cooperação à medida que as crianças se ajudam mutuamente na brincadeira, o dialogo acontece e são verdadeiras comunicações íntimas, a música auxilia na realização do salto e tudo isso é movimento, o movimento é a essência da educação física. É importante salientar ainda a maneira em que o professor propõe a brincadeira, estimulando a participação das crianças e aproveitando sugestões delas.

Para melhor conhecer a criança é preciso aprender à vê-la. Observá-la enquanto brinca: o brilho dos olhos, a mudança de expressão do rosto, a movimentação do corpo. Estar atento à maneira como desenha seu espaço, aprender a ler à maneira como escreve a sua história. (Moreira em Oliveira-1997).

O professor na prática deve desenvolver esse raciocínio, tornando a aula bastante ativa, bastante interessante e ajudando a criança a apreender. A principal atividade da criança é brincar. Essa necessidade da criança de se movimentar não se acaba ao entrar na educação básica.

A escola e especialmente a educação física devem estar preocupadas em abrandar essa passagem brusca da educação informal para educação formal, devem oferecer oportunidades em situações na qual a criança possa exercitar o conhecimento que ela já tem, ou seja, os jogos e as brincadeiras que representam parte do que nós aqui chamamos de bagagem cultural infantil. Cabe ao professor, buscar neste universo infantil da criança, situações em que possa ser aproveitada sua realidade infantil e assim ampliar e sistematizar suas atividades, buscando sua integração na escola, como também sua socialização e acredito que é esse o fim da educação física de hoje, aquela educação física na qual a criança aprende brincando, se divertindo, construindo conceitos e descobrindo o mundo.

Este relacionamento com o mundo esta pautado principalmente em dois grandes fatores, diretamente ligado à sensibilidade, à percepção, à integração entre as funções biológicas, sociais e intelectuais do individuo, Assim as ladainhas, mas conhecidas no Brasil são:

  1. 1. Batalhão… Lhão-Lhão quem  não entra é um bobão! Abacaxi… Xi-Xi, quem não sai é um Saci!
  2. 2. Salada saladinha bem temperadinha com sal, salsa e cebolinha… 1, 2 e 3! (foguinho).
  3. 3. Salada saladinha, feijão com pimenta na hora da janta não tem quem aquenta 1,2,3… (foguinho);
  4. 4. Com quantos anos você quer casar?… Com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10;
  5. 5. Qual a letra do seu namorando? a, b, c, d, e… x, y, z!
  6. 6. Um homem bateu em minha porta e eu abri… Senhoras e senhores ponham a mão no chão, Senhoras e senhores pulem com um pé só, Senhoras e senhores dêem uma rodadinha… E vá pro olho da rua!
  7. 7. Com quem pretende casar com loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, patrão, soldado, ladrão, 1, 2, 3.
  8. 8. Com quem pretende casar com loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, patrão, soldado, ladrão, estrelinha1, estrelinha 2, estrelinha 3.
  9. 9. Ai, ai… Que tem? Saudade! De quem? Do cravo, da rosa, da vovó cheirosa, da Ingrid gordinha do meu coração.
  10. 10. Tom, tom… Quem é? Padeiro! Me dá todo seu dinheiro.
  11. 11. Subi quebrei o galho, Me segure, “fulana” Senão eu caio. Numa roseira.

 

8. METODOLOGIA

Os métodos utilizados para a realização deste projeto foi de leituras de livros e artigos de revistas, textos e aulas ministradas durante o período da minha graduação, assim buscando identificar, descrever e analisar a utilização dos jogos e brincadeiras no desenvolvimento psicomotora na educação física escolar, a fundamentação teórica estar baseada em alguns autores,  experiências , pesquisas e estudos sobre a brincadeiras e jogos tradicionais. Contribuindo para visitas técnicas a onde se aplicam jogos e brincadeiras na vivência escolar para ver aplicabilidade pedagógica. E no desenvolvimento todo trabalho de pesquisa pude estar entrando em contato com o lado clínico da psicopedagogia e isso ajudou- me muito, pois também pude estar vendo o grau de importância que os jogos e brincadeiras têm no tanto em crianças ditas “normais” quanto em crianças com limitações especiais, o quanto o jogo e as brincadeiras podem ajudar no todos desenvolvimentos afetivos, cognitivos, motor e psicológico de uma criança.

 

9. CONCLUSÃO

O trabalho exposto busca a reinserção do jogo tradicional de pular corda na Educação Básica, a qual tem o seu brilho minimizado em face do desenvolvimento do mundo contemporâneo que se destaca tecnologicamente a cada dia, maximizando a tecnologia e a comunicação, ofuscando dessa maneira a cultura infantil. Vislumbra elucidar que todo o desenvolvimento infantil podem ser observados e aprimorados de forma saudável através das características da segunda natureza, isto é, a cultura humana, uma vez que o jogo tradicional de pular corda é extremamente: flexível, plástico, motor e mutável a cada instante da brincadeira.

A idéia geral do “projeto” foi tão somente resgatar a cultura infantil dentro das aulas de Educação Física no ensino das crianças. Onde primei por um dos ícones da ludicidade “o pular corda”. Nele eu descobri algumas sugestões gerais que podem tornar possível à presença do jogo citado no planejamento das aulas de Educação Física.

O projeto mostra a nostalgia do jogo de pular corda, assim embalado pelas ladainhas, que do meu ponto de vista é saudoso e saudável. Entretanto, é evidente que com a globalização temos que aprender a conviver com as mudanças, pois não será possível acompanhar o jogo das crianças do futuro se não enxergarmos a evolução de um modo amplo dentro de sua generalidade.

Nós professores temos a missão de participar do desenvolvimento dos nossos alunos, e não podemos deixar de usar um elo para com eles nos ligarmos, assim aumentando as atividades de pular corda e ladainhas para valorizamos mais a cultura infantil dentro das aulas de Educação Física, assim o pular cordas através de um âmbito biopsicossocial, entra na sociedade, ocasionando cidadões, além de fortalecer a fisiologia da criança, assim como também melhorar suas habilidades neurológicas dessas dentro da escola, ajudando de tal maneira ao desenvolvimento social, para que possa viver na sociedade.

10. REFERENCIAS

 

BROCK, DODDS, JARVIS, OLUSOGA. Brincar, Aprendizagem Para Vida, Avril Brock, Sylvia Dodds, Pam Jarvis e Yinka Olusoga, Porto Alegre (RS) – Penso, 2011.

CATUNDA, Ricardo  Brincar, Criar e Vivenciar na Escola / Ricardo Catunda – Rio de Janeiro: Sprint 2005.

DARIDO & RANGEL  Educação Física na Escola: Implicação para Prática Pedagógica / Suraya Cristina Darido & Irene Conceição Andrade Rangel.  Rio de Janeiro  Guanabara Koogan, 2005.

FREIRE & SCAGLIA: Educação como prática do corporal / João Batista Freire, Alcides José Scaglia. – São Paulo: Scipione, 2003.

GONZÁLEZ & FENSTERSEIFER Dicionário crítico de Educação Física / Jaime Gonzáles & Paulo Evaldo Fensterseifer. – Ijuí: Ed. Unijuí – Rio Grande do Sul 2005.

KISHIMOTO, Tizuko Mochida O jogo e a Educação Infantil / Tizuko Mochida Kishimoto.  São Paulo: Pioneira Thomson Learning  2003.

LE BOULCH, Jean –: Educação Psicomotora: Psicocinética na Idade Escolar / Jean Le Boulch; TRAD. De Jeni Wolff – Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

MEGALE, Nilza B. Megale. Folclore Brasileiro / Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 1999.

OLIVEIRA, Gislene de Campos . Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque psicopedagógico / Gislene de Campos Oliveira – Petrópolis, RJ ; Vozes, 1997.

SÁNCHEZ, MARTINEZ e PEÑALVER, Pilar Arnaiz Sánchez, Marta Rabandán Martinez e Iolanda Vivez Peñalver, A psicomotricidade na educação infantil uma prática preventiva e educativa / Porto Alegre, RS, Editora Artmed, 2003.

SCARPATO, Marta. Educação Física: Como Planejar as Aulas de Educação Física Básica / São Paulo, SP – Avercamp, 2007.

TUBINO & MOREIRA  Metodologia Cientifica do Treinamento Desportivo / Manoel José Gomes Tubino & Sérgio Bastos Moreira. – 13ª Ed. – Rio de Janeiro: Shape 2003.

HUIZINGA, J. Homo Luddens  O Jogo Como Elemento da Cultura / São Paulo: Perspectiva, 2005.

LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientifica: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, publicações e trabalhos científicos. São Paulo. Atlas, 2010.

 

Sobre Feed do Autor

Formando em Educação Física no 2º Semestre de 2011, na Universidade Nilton Lins- Manaus - Amazonas.

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