Tabaco causa ansiedade e depressão

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Conheça as consequencias do Tabagismo – O Tabaco, Ansiedade e Depressão

Na sequência de medidas políticas e de saúde pública, com intervenções de prevenção e tratamento do tabagismo, a taxa de fumadores tem vindo a diminuir. Contudo, haverá previsivelmente um “núcleo duro” que continuará a fumar, no qual provavelmente se encontrará uma percentagem muito significativa de fumadores com comorbilidades psiquiátricas (Aubin, 2009).
O tabagismo e as perturbações psiquiátricas poderão reforçar-se mutuamente (John et al., 2004). Os fumadores que sofrem de perturbações psiquiátricas foram mais precoces no início do consumo de tabaco, a progressão para a dependência foi mais rápida e o grau atingido mais elevado, bem como têm mais dificuldade de parar e mais lapsos e recaídas após a abstinência (Breslau et al., 2004).
As taxas de fumadores e grande fumadores (>20 cigarros/dia) em doentes psiquiátricos são superiores às da população em geral e reconhecida e especialmente elevadas quando há diagnóstico de patologias psicóticas e/ou de dependência de álcool ou tóxicos (>90%). No entanto, ainda que em menor grau, o mesmo verifica-se em perturbações depressivas e de ansiedade.
Entre os doentes diagnosticados com perturbação depressiva major ou perturbações de ansiedade, cerca de metade (40 – 50%), são fumadores e paralelamente, as perturbações depressivas e de ansiedade poderão ser duas a quatro vezes mais frequentes nos fumadores do que nos não fumadores (Lagrue et al., 2002).

As perturbações de ansiedade mais frequentemente associadas ao tabagismo são a perturbação de ansiedade generalizada, a fobia social, e a perturbação pós-stress traumático (Lagrue et al. 2002; West et al., 2004). O tabagismo é menos frequente na perturbação de pânico e na agorafobia, mas pode associar-se ao aparecimento de crises de pânico.

A relação entre tabagismo e perturbações depressivas e de ansiedade é complexa e controversa sendo de considerar os seguintes aspectos:

1) Algumas pessoas têm um risco mais elevado de se tornarem fumadoras porque:

a) apresentam uma mais acentuada desregulação dos estados afectivos, pelo que recorrem ao tabaco como estratégia de regulação, essencialmente para os estados negativos, mas também para os positivos, ou seja, fumam quando se sentem tristes ou ansiosos mas também quando se sentem felizes;

b) são mais sensíveis à ansiedade e procuram o tabaco como estratégia para lidar com o medo de sentirem ansiedade e a expressão interna desta como sintomas físicos (West et al., 1997);

2) As perturbações depressivas e de ansiedade são um factor de risco para o tabagismo, partilhando a mesma vulnerabilidade genética ou biopsicosocial;

3) O tabagismo é um factor de risco para sintomas/ perturbações depressivas e de ansiedade, conjugando os seguintes componentes:

a) factor causal, por alterações provocadas pelo tabagismo a nível dopaminérgico, noradrenérgico, serotoninérgico, gabaminérgico e de secreção de endorfinas;

b) ansiedade associada ao próprio consumo (craving e abstinência);

c) medo das consequências na saúde do consumo de tabaco;

d) ansiedade devido a conflitualidade associada a consumo de tabaco (por ex. familiares que criticam ou chamam a atenção repetidamente);

4) Ansiedade associada ao processo de tomada de decisão de eventual cessação tabágica, ou seja, medo de não conseguir lidar com a ansiedade sem recurso ao tabaco (sensação de impotência em relação à ansiedade/helplessness e catastrofização);

5) A cessação tabágica poderá estar associada ao aparecimento ou agravamento de sintomas/perturbações depressivas e de ansiedade em indivíduos com, ou mesmo sem, antecedentes psiquiátricos conhecidos, devido a:

a) factor causal pela desregulação da actividade de vários neurotransmissores/circuitos neuronais, provocada pela falta do tabaco, o que ocorre mais frequentemente nas primeiras semanas após a cessação tabágica e se pode prolongar durante duas a quatro ou mais semanas. A cessação tabágica associa-se frequentemente a queixas de humor deprimido/disforia, ansiedade, irritabilidade, inquietação, insónia, raiva/frustração e dificuldades de concentração;

b) a ansiedade é um sintoma da síndrome de privação de nicotina;

c) alguns fumadores podem ter síndromes de abstinência com sintomas mais graves (habitualmente os mais sensíveis à ansiedade). Estes fumadores terão um risco mais elevado de não suportarem a abstinência de nicotina;

d) a cessação tabágica também está associada a aumento do peso e das secreções pulmonares, bem como obstipação e úlceras da mucosa oral, entre outras queixas físicas que poderão levar a ansiedade associada;

e) dificuldade de regulação dos estados afectivos, especialmente os negativos, coping e de lidar com o “luto” pela perda de um “companheiro”.

Perante estas dificuldades, é de extrema importância a avaliação de sintomas/quadros depressivos e de ansiedade em actividade, ou nos antecedentes dos fumadores, especialmente à entrada nos programas de cessação ou redução do consumo de tabaco. Também deverá haver a devida avaliação/vigilância no decorrer do seguimento e após a cessação tabágica durante um período de seis meses ou, eventualmente, um período mais longo.

As perturbações psiquiátricas identificadas deverão, obviamente, ser alvo de tratamento adequado conciliado com as intervenções terapêuticas dirigidas ao tabagismo.

As primeiras investigações farmacoterapêuticas do tabagismo foram com os ansiolíticos, benzodiazepinicos e não-benzodiazepinicos, mas sem sucesso terapêutico significativo. Tem-se verificado maior sucesso farmacoterapêutico com terapêuticas de substituição de nicotina, bupropiona e vareniclina, havendo que ter em conta os riscos e precauções de cada intervenção terapêutica, especialmente quando existem comorbilidades psiquiátricas.

Estas medidas poderão mesmo assim ser insuficientes pelo que frequentemente será necessário e essencial procurar outras estratégias. Embora as terapêuticas ansiolíticas ou hipnóticas não estejam formalmente indicadas para a cessação tabágica poderão ser necessárias nas manifestações de ansiedade, insónia ou comorbilidades que surgem durante o processo de desabituação.

A terapêutica com benzodiazepinas deverá, sempre que possível, ser evitada, pelo potencial de efeitos secundários, abuso e dependência (Aubin, 2009). A clonidina poderá estar indicada no alívio da síndrome de abstinência e a buspirona demonstra alguma eficácia embora reduzida na terapêutica da ansiedade neste contexto (Dudas et al., 2005; Sullivan et al., 2002).

Frequentemente, os fumadores à semelhança de outros pacientes com problemas de dependência, manifestam que não querem substituir uma dependência por outra dependência” e encaram os psicofármacos como um novo risco, mesmo informados de que não há risco significativo de dependência com determinados fármacos.

Contudo, mantém-se a necessidade imperiosa de intervenções terapêuticas para os sintomas de ansiedade e de depressão e também de alterações do sono, tão frequentes e fortemente condicionantes do sucesso dos programas de redução ou cessação tabágica.

Todos estes sintomas podem beneficiar de um melhor ajuste da terapêutica de substituição de nicotina (dosagens mais elevadas e/ou associação de mais de uma forma de administração), prescrição ou associação de bupropiona à terapêutica de substituição de nicotina (ou/e outros antidepressivos) e certamente por intervenções psicoterapêuticas em grupo ou individuais (Aubin, 2009).

As intervenções psicoterapêuticas em grupo, associadas à terapêutica de substituição de nicotina, são actualmente consideradas as mais eficazes na cessação tabágica.

Perante o benefício reconhecidamente reduzido de psicofármacos ansiolíticos e a frequente melhor aceitação de produtos naturais, a prescrição de extracto de valeriana em altas dosagens tem sido e poderá ser uma opção a considerar na terapêutica de queixas de ansiedade e de alterações do sono nos programas/consultas de redução ou cessação tabágica.

 

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